Cadê a notícia que estava aqui?

Bloquinho de anotações em uma mão, câmera fotográfica na outra. Foi assim que os alunos da Oficina de Mídias circularam pela Odon Cavalcanti no sábado (25). Atentos aos detalhes, os alunos-repórteres viram com outros olhos a escola que frequentam diariamente, e se surpreenderam com o que até então era cotidiano.

“É possível encontrarmos notícias aqui na escola?”, perguntei logo no início da aula. “Talvez sim”, “acho que não”, “quem sabe?”, responderam. Ainda na sala, retomamos as conversas sobre o que é notícia, com a apresentação das notícias criadas na aula passada. A partir de imagens recortadas de jornais, os alunos escreveram a manchete e o lide, ou seja, o título e as informações que introduzem o leitor no texto. Dinossauros de pedras encontrados na Islândia, Capitão América desaparecido na Antártida e Coreia campeã do prêmio “Melhores Músicas do Mundo” foram algumas das pautas pensadas por eles.

Texto apresentado, hora de explorar cada canto da Odon. Divididos em grupos, os alunos se espalharam pela escola em busca de notícias. Tudo o que eles consideravam relevante era registrado: os armários no corredor do segundo andar, o refeitório vazio, a presença de joaninhas e borboletas, os sacos de lixo na garagem, a mesa de pebolim remendada, os buracos no muro, a estrutura dos banheiros, as plantas invadindo a quadra. Enquanto um fotografava o pé de jaca recém-descoberto, o outro observava a aula de culinária dos aprendizes.

O desafio era conseguir responder as seis perguntas que estruturam uma notícia: o quê, quem, quando, onde, como e por quê. Um aluno resolveu essa questão entrevistando o educador da Oficina de Jardinagem, concentrado na construção de uma horta com o seu grupo.

Os minutos finais da aula reuniram o grupo. Cada um teve o seu momento para compartilhar percepções, fotos e anotações. Conversamos sobre o que conseguimos ver quando estamos dispostos a enxergar, e que é no comum onde estão as notícias, à espera de um olhar atento que as descubra. “Agora eu vou ver a minha escola de outra maneira”.

[Nathália Aguiar – Oficina de Mídias – Escola Odon Cavalcanti]

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