Crea+ recebe visita de jovem brasileiro aprovado em Stanford

Gustavo Torres da Silva inspirou alunos e voluntários ao contar como superou a falta de oportunidades no Capão Redondo, bairro humilde da zona sul de São Paulo, e conseguiu ingressar em uma das melhores universidades do mundo

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Há praticamente duas semanas publicamos um texto em nosso blog sobre Gabriel Kazuitti, aluno do Crea+ Brasil que foi aprovado no Ismart, instituição que oferece bolsas de estudo para jovens de baixa renda em escolas particulares reconhecidas. E quem diria? Naquela mesma semana, uma de nossas escolas receberia a visita de Gustavo Torres da Silva, jovem da periferia de São Paulo que prepara as malas para estudar na Universidade de Stanford. A comparação entre os dois jovens é inevitável, uma vez que Silva também esteve no lugar de Kazuitti poucos anos atrás como aluno do Ismart.

Silva visitou a Escola Odon Cavalcanti (OC), onde conheceu as atividades realizadas pelo Crea+ Brasil aos sábados e inspirou voluntários e alunos ao compartilhar sua história de vida, sobretudo, suas recentes conquistas acadêmicas e profissionais. “Sem dúvida, Gustavo foi motivo de enorme inspiração para alunos e voluntários nessa manhã. Que histórias como essa sejam multiplicadas pelo Brasil”, diz nosso voluntário Gustavo Mendonça, em um post no Facebook que recebeu mais de 80 curtidas.

Mas você conhece a história de Silva? Nascido e criado no Capão Redondo, ele conquistou uma vaga no Ismart quando estava na 7ª série (atual 8º ano). Levantamentos da revista Exame mostram que, sem salas de teatro e centros culturais, o Capão Redondo é o 2º bairro mais violento da cidade de São Paulo. Apesar das adversidades, o estudante batalhava para manter uma jornada dupla de estudos – assistia às aulas de reforço no Colégio Santo Américo de manhã e retornava para sua antiga escola estadual de tarde. Essa rotina continuou até o Ensino Médio, quando passou a frequentar o Colégio Santo Américo em período integral.

Filho único de uma cuidadora de idosos e de um técnico em elétrica, Silva sempre se interessou pelos livros e pelos aparelhos eletrônicos que seu pai consertava. De lá para cá, pouco mudou. Depois de fazer intercâmbio na Universidade Yale em 2013, Gustavo retornou ao Brasil com ainda mais determinação para correr atrás de seu sonho de estudar Engenharia em uma universidade dos Estados Unidos. Ele se inscreveu para dez instituições de excelência norte-americanas, entre elas Harvard, Pensilvânia, Duke e MIT. Mas, no final, acabou optando pela Universidade de Stanford por causa da bolsa de estudos, da qualidade do curso que pretende estudar – Engenharia Biomédica – e do incentivo às pesquisas.

Veja abaixo a carta de aprovação enviada pelo MIT:

Capturar

Impacto social

“Nos últimos 15 anos, as coisas melhoraram onde moro. Capão Redondo já teve muito mais assassinatos, roubos e drogas. Lógico que ainda não é um paraíso, mas melhorou. Entretanto, ficou a imagem de que aqui é um lugar sem esperanças e sem boas perspectivas de futuro para seus moradores. Acho isso uma grande besteira e, na verdade, crescer no Capão foi muito positivo para mim; justamente porque não encontrei privilégios, aprendi a ter persistência e aproveitar cada oportunidade que encontro. Nascer em periferia diminui as chances de fazer coisas grandes, mas não as excluem.  Vejo que cada vez mais pessoas percebem isso, ficam mais otimistas e passam a eliminar limites para seus sonhos”, diz Silva em seu blog hospedado no UOL.

Foi essa visão que inspirou o futuro engenheiro a criar em agosto de 2013 a ONG Descobrindo o Sonho Jovem (DSJ), que ajuda estudantes de escolas públicas a identificar e lutar por seus sonhos por meio de treinamentos e orientações. Ele idealizou e realizou o projeto em parceira com seu amigo João Victor Araújo – também de origem humilde – enquanto os dois ainda estudavam no Colégio Santo Américo.  No ano passado, Silva e Araújo levantaram 800 reais por meio de plataformas de financiamento coletivo. Embora esteja centrado no Capão Redondo, a intenção dos jovens prodígios é ampliar o projeto para todo o Brasil.

Você também pode conferir um pouco mais da história de Silva no site da Fundação Estudar. Para acessá-lo, clique aqui.

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